Recursos hídricos: agricultura, aproveitamento e saneamento

Por CREA-RN em 24/03/2017 às 04:11

O uso dos recursos hídricos na agricultura foi o assunto abordado pelo engenheiro químico e pesquisador da Embrapa-Agroenergia José Dilcio Rocha na palestra que abriu os trabalhos da tarde do dia 22 do Preparatório de Campinas para o 8º Fórum Mundial da Água. É o Sistema Confea/Crea e Mútua adiantando os debates para a maior agenda sobre recursos hídricos, que em 2018 acontecerá em Brasília.

Rocha iniciou sua explanação falando sobre as interações existentes entre água, energia e alimento, e o uso da tecnologia para tornar mais eficientes os métodos de irrigação, utilizando os recursos hídricos de maneira racional para garantir a sustentabilidade na agricultura.

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“O combustível dessa roda é o empreendedorismo”, destacou o palestrante, formado pela Universidade Estadual de Campinas – Unicamp, mestre em Planejamento de Sistemas Energéticos pela Unicamp e doutor em Engenharia Mecânica pela mesma universidade.

A avaliação de riscos ambientais por agrotóxicos foi exemplificada no detalhamento do Programa ARAquá, tecnologia já há alguns anos utilizada pelo Ibama para essas análises, e seu correspondente que utiliza georreferenciamento, o ARAquáGeo.

Políticas públicas, linhas de financiamento e organização em cooperativas foram alguns dos itens citados pelo palestrante como fundamentais para o sucesso contínuo da agropecuária brasileira.

Drenagem de água: solução para minimizar inundações e crise hídrica

Já o controle de inundações e o aproveitamento de águas de chuva foram destaque da palestra do engenheiro agrimensor e mestre em engenharia urbana Aparecido Vanderlei Festi, ainda na tarde do primeiro dia do Preparatório de Campinas.

Acesse aqui a palestra completa.

O especialista iniciou a palestra analisando a atual situação da drenagem urbana nas cidades brasileiras pontuando que em muitos casos o problema está na má elaboração de projetos. “Por isso, o planejamento e a disciplina do uso do solo são fatores essenciais para o combate às inundações”, comentou. Outro ponto que demanda conhecimento técnico é a alocação de espaço. “Essa é uma responsabilidade do engenheiro relacionada à drenagem urbana. Quando a ocupação é ordenada, os empreendimentos são implantados com sucesso e de forma sustentável”, completou.

Acerca da legislação do setor, Festi informou que não existem políticas governamentais específicas. Apesar disso, alguns municípios vêm desenvolvendo e aplicando leis locais. A cidade de São Paulo, por exemplo, por meio da Lei 13.276/2002, torna obrigatória a construção de reservatórios para as águas de chuvas coletadas por coberturas e pavimentos dos lotes, edificados ou não, que tenham áreas impermeabilizadas superiores a 500 m². Guarulhos também já adota legislação prevendo o sistema de aproveitamento de água nas edificações novas com telhados acima de 250 m². Desde 2010, a Prefeitura de Guarulhos também incentiva o aproveitamento de água por meio do Projeto IPTU Verde, cuja proposta é oferecer desconto de até 20% para cada sistema sustentável, sendo 3% para aproveitamento de água de chuva, 3% para reúso de água, 7% para telhado verde, entre outros.

Na lista de benefícios da drenagem, estão a diminuição do risco de inundações e o reaproveitamento das águas pluviais para diversas utilizações. Sobre essa última vantagem, o engenheiro agrimensor explicou que a água da chuva retida na estrutura poderá ser utilizada para fins não potáveis, seja nos domicílios, em projetos públicos para lavagem de ruas, regas de praças e jardins, ou nos processos de produção industrial. “Essas ações contribuem para minimizar períodos de crise de abastecimento”, finalizou.

Saneamento municipal

Desde 1988, com a promulgação da atual Constituição Federal, a elaboração dos Planos Municipais de Saneamento Básico ficou a cargo dos municípios. O executivo elabora o plano e o submete à sociedade por meio de audiências públicas. “É nesse momento que o Sistema Confea/Crea e Mútua e as entidades de classe podem ter uma atuação bem firme”, afirmou, durante palestra, o diretor da Associação Nacional dos Serviços Municipais de Saneamento (Assemae) Neiroberto Silva, último palestrante do dia.

Veja a palestra completa.

Diretor da Assemae há quase 20 anos, Neiroberto Silva explicou que o plano deve seguir cinco etapas: diagnóstico, estabelecimento de metas, indicação das ações a serem realizadas, elaboração de planos de contingência e emergência, e definição de mecanismos de avaliação sistemática do plano. Para o diretor da Assemae, a etapa mais importante desse processo é o diagnóstico. “Temos perda de água na captação, na produção e na distribuição. É no diagnóstico que se mapeiam os polos dessas fugas de água”, explicou. “A água produzida e não faturada faz com que o setor de saneamento perca recursos financeiros fundamentais também para a expansão do esgoto sanitário no país”. As perdas podem ocorrer por conta de ligações clandestinas, roubo de água, e corrosão e envelhecimento sem manutenção das redes de distribuição, entre outros motivos.

Texto e Imagem: Equipe de Comunicação do Confea 

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