Recursos hídricos na agricultura: produzir sem prejudicar o ambiente

Por CREA-RN em 11/08/2017 às 08:28

O Brasil precisa investir na Engenharia, recuperar a capacidade instalada, o nosso mercado interno e a mão-de-obra qualificada. Estes são desafios que devem ser enfrentados com a execução de obras e investimentos em infraestrutura, apoio à produção e ganhos de produtividade oriundos da inovação tecnológica”. Com essas palavras o engenheiro Carlos Alberto Abraham, do Sindicato dos Engenheiros no Estado de São Paulo, deu início à mesa-redonda sobre Recursos Hídricos no Agronegócio realizada no segundo dia da 74ª Soea, com os palestrantes Edson Eiji Matsura, da Universidade Estadual de Campinas, e Rui Machado, da Embrapa Pecuária Sudeste. 

Edson Matsura, doutor em Hidráulica Agrícola, abordou o tema “Recursos hídricos e inovações técnicas na produção de alimentos em uma agricultura sustentável”, e o pesquisador Rui Machado falou sobre “Inovação, Segurança Alimentar e Políticas Públicas para o Desenvolvimento Sustentável na Agricultura”.

Segundo Matsura, “as inovações técnicas no setor só podem ser implantadas com profundos estudos de oferta, gestão e demanda, e com uma estratégia de soluções afinada com as esferas federal, estaduais e municipais”. Uma das inovações apresentadas pelo professor da Unicamp restringe-se à área acadêmica: o reúso da água de esgoto doméstico na irrigação de produtos agrícolas. “A experiência na produção de cana, alface e cítricos tem sido altamente satisfatória. Só com esse tipo de recurso no estado de São Paulo daria para irrigar 70.000 hectares”.

Na opinião de Rui Machado, o setor produtivo deveria bancar essas pesquisas, mas não o faz”. “Por outro lado, a adoção de políticas públicas é lenta, porque depende de muita informação científica e tecnológica”, disse o pesquisador. Segundo ele, a situação melhorou no Brasil com o advento da Embrapa e projetos que podem angariar grande repercussão social, como o ABC – Agricultura de Baixo Carbono, estão dando certo. “Mas para que isso se transforme em fato é preciso investimento próprio”, conclui. Além da descarbonização do ambiente, Machado vê a gestão equilibrada dos recursos hídricos e a aplicação de novas ciências no campo, como a nanotecnologia e a biotecnologia, como caminho para a “sustentabilidade com rentabilidade”.

Sociedade preocupada com o uso da água 

A preocupação com o gerenciamento de recursos hídricos também ficou evidente na palestra “A revitalização de nascentes em áreas urbanas”. Durante a apresentação, foi dado destaque ao projeto desenvolvido em São José dos Campos (SP), onde são promovidas ações de reflorestamento de suas Áreas de Preservação Permanente (APP), em parceria com a comunidade local, secretarias municipais e empresas. “Nenhum projeto é possível sem a participação da população, caso contrário não vinga”, frisou o engenheiro agrônomo e diretor de Gestão Ambiental na Secretaria Municipal de Meio Ambiente, William Portela.